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Uso de ar condicionado propaga o corona vírus? Como solucionar isso em clínicas ou consultórios?

Preservar ou expor o paciente?


Discussões sobre a qualidade do ar que respiramos, ganharam repercussão, a nível mundial, diante do momento que estamos vivendo.


O ar que respiramos seja livremente ou nos ambientes, é uma das principais formas de contágio do novo corona vírus.


A maioria das clínicas e consultórios por exemplo não possui janelas e o único recurso de refrigeração é o ar condicionado.


Será que o uso do ar condicionado pode se tornar um problema ou restrição?

Continue lendo que vamos conversar sobre isso.




De onde surgiu a necessidade de usar o ar condicionado em clínicas e consultórios?


É cada vez mais comum salas comerciais serem adaptadas para clínicas e consultórios, e em geral, estas salas não possuem janelas suficientes para todos ambientes.


Sem janelas a forma mais simples de climatizar um ambiente é através de ar condicionado.


Visto que, a climatização contribui para a agradabilidade da temperatura e este é um dos fatores importantes na sensação de bem-estar das pessoas, sejam elas pacientes, colaboradores ou profissionais da saúde, é compreensível que se opte pela solução mais fácil.


Apesar de que, o uso de ar condicionado como único recurso de climatização, é uma solução questionável para a saúde das profissionais que passam boa parte do seu dia ali, vem funcionando, como paliativo, quando o assunto é monitoramento de temperatura.


Porém neste ano de 2020, estamos lidando com algo diferente - o novo corona vírus -um vírus que se propaga pelo ar, logo, como a maioria dos modelos de ar condicionado, não faz a renovação e sim circula o ar presente no ambiente ele pode ser um grande problema na propagação do vírus nos ambientes.


E agora? Você já tinha se dado conta da gravidade deste assunto?


O que fazer quando for examinar seu paciente e precisar ficar sem máscara?


Este é um assunto que tem sido discutido e analisado por diversos especialistas, alguns deles comentarei neste texto.


O primeiro é um estudo chinês que analisou, no mês de abril, a propagação do novo corona vírus, através do fluxo de ventilação do ar condicionado em um restaurante e concluiu que:


"Do nosso exame das possíveis rotas de transmissão, concluímos que a causa mais provável desse surto foi a transmissão de gotículas [...] [que] foi motivada pela ventilação com ar condicionado. O fator-chave para a infecção foi a direção do fluxo de ar",

Esta afirmação foi feita pelo grupo pesquisador no estudo publicado na revista americana Emerging Infectious Diseases, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).


Apesar da constatação, deste estudo, sobre o ar condicionado espalhar o vírus, segundo pesquisadoras da escola de saúde americana Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, o ar-condicionado também pode ajudar prevenir a disseminação viral.


"A instalação e manutenção adequadas do filtro [em ar condicionados] podem ajudar a reduzir o risco de transmissão aérea, mas é importante entender que os filtros não devem ser assumidos para eliminar o risco de transmissão no ar", diz trecho do estudo.

O uso do equipamento, para elas, quando bem conservado, refreia a disseminação removendo o ar de um ambiente onde há gotículas de vírus. Este é um recurso utilizado em hospitais.


E um terceiro estudo de cientistas membros da Sociedade Americana de Microbiologia (mSystems) aponta que a forma mais segura de evitar a transmissão pelo ar, á através da ventilação natural que circula, entra e sai janelas, pois eleva a proporção de ar externo e a taxa de trocas de ar. Eles também apontam que:


"a adoção de práticas operacionais avançadas [filtros e manutenção] de AVAC-R (Aquecimento, ventilação, ar-condicionado e refrigeração) também pode reduzir o potencial de disseminação do SARS-CoV-2".

Diante da diversidade de estudos, a Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento) declarou que, caso seja inevitável o uso ar condicionado, é recomendável utilizar filtros com maior eficiência, se possível instalá-los sem alteração na estrutura de suportação dos filtros e manter os demais cuidados com a higienização.


No entanto, esta recomendação, nos leva a refletir que cada clínica ou consultório deve ser analisado particularmente, e que você deve ficar atento porque isso pode se tornar uma exigência dos órgãos fiscalizadores e do próprio paciente.


Com tantas mudanças no padrão de consumo analisar padrões de cuidados das clínica e consultórios pode se tornar um critério de escolha entre um profissional e outro.


Portanto, podemos concluir que o melhor a se fazer é:


  • Para clínicas e consultórios existentes: adotar soluções arquitetônicas que privilegiam e valorizam a ventilação natural, rever os sistemas atuais e possibilidades de melhorias;

  • Para clínicas e consultórios novos: avaliar as possibilidades de uso da ventilação natural nos ambientes e a dispor os ambientes de forma que a favoreça e não a limite.


E você como profissional da saúde pode fazer isso contratando um arquiteto consciente destes fatores.


Sobre a autora

Ana Paula Medina

Arquiteta especialista em interiores, com atuação em ambientes de saúde.

Acesse: @concretoleve.arquitetura







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